quarta-feira, 3 de junho de 2009

DAVID RICARDO




DAVID RICARDO

Nasceu em Londres a 18 de Abril de 1772. Era o terceiro de 17 filhos de uma família holandesa de classe média, descendentes de judeus expulsos de Portugal. Pouco tempo antes de David nascer, o seu pai migrou da Holanda para Inglaterra onde negociou na Bolsa de Valores e foi bem sucedido. David viveu durante alguns anos na Holanda com outros elementos da família, onde completou parte da sua instrução primária. David Ricardo entrou para a bolsa inglesa, demonstrou grande aptidão, tornando-se mais tarde um corretor bem sucedido. Aos 21 anos converteu-se ao protestantismo unitarista e casou-se com uma jovem quacre originando desentendimentos familiares. Prosseguiu suas atividades na bolsa e em poucos anos ficou rico o bastante para se dedicar aos estudos, especialmente a matemática, química e geologia e adquiriu uma propriedade rural. Em 1799, após ter lido a Riqueza das nações de Adam Smith passou a interessar-se por questões de economia. Entre 1809 e 1815 publicou alguns panfletos sobre a questão do preço do ouro, protecionismo na agricultura e os seus efeitos sobre os preços agrícolas, os lucros do capital e o crescimento econômico. A partir de então dedicou-se a escrever um tratado teórico geral sobre a economia, os Princípios, tendo sido publicado em 1817, constituindo-se assim um marco teórico decisivo para o desenvolvimento da economia política clássica. Em 1815, David Ricardo já era considerado o economista mais importante de toda a Grã-Bretanha, graças ao seu conhecimento prático sobre o funcionamento do sistema capitalista. Foi muito influente na polemica discussão sobre a questão das corn laws, isto é, da importação de trigo estrangeiro pela Inglaterra. David Ricardo, como eterno defensor do livre comércio internacional, era a favor da importação. Foram várias as divergências com economistas mais conservadores, como Malthus, os quais temiam ver o sustento dos trabalhadores britânicos sob o poder de países estrangeiros, potenciais inimigos. Neste mesmo ano, David Ricardo publicou toda a sua tese liberal em “Ensaio sobre a Influência do Baixo Preço do Cereal sobre o Lucro do Capital”. Em 1817 publicou a sua grande obra “Princípios de Economia Política e Tributação”. Este livro consagrou Ricardo como o grande nome da Economia Política Clássica, junto com Adam Smith, dominando a economia não apenas de Inglaterra, mas de todo o mundo ocidental por muitas décadas, até o aparecimento do marxismo e do marginalismo (os quais foram muito influenciados pela obra de David Ricardo). Ricardo também se envolveu em questões políticas, tendo sido representante do distrito irlandês de Portalington na Câmara dos Comuns do Parlamento do Reino Unido. Ali defendeu um conjunto de posições liberais tanto em matérias políticas (o voto secreto, o sufrágio universal) como em temas econômicos (a liberdade de comércio). Morreu prematuramente a 11 de Setembro de 1823, tendo deixado incompleta uma obra em que trabalhava. As suas obras atingiram vastas áreas da economia, tais como: política monetária, teoria dos lucros, teoria da renda fundiária e da distribuição, teoria do valor e do comércio internacional, sendo que muitas destes temas permanecem atuais nos dias de hoje.

TEORIAS DE DAVID RICARDO
Como conseqüência do avanço técnico verificado na época, após a Primeira Revolução Industrial em que a introdução de máquinas provocou alterações nos processos produtivos e modificações radicais a nível de relacionamento social em virtude da transformação do artesão em proletário, verificou-se uma mudança radical na relação entre o meio urbano e o meio rural inglês. Este ciclo econômico ocasionava, de tempos em tempos, as crises no comércio, reduzindo o lucro dos empresários que como conseqüência gerava desemprego, piorando cada vez mais a situação das massas urbanas. Logicamente toda esta situação levou a grande agitação por parte dos trabalhadores. Estes encontravam-se perante uma situação de miséria, o que fez com que na época aumentasse a taxa de mortalidade. Segundo Ricardo, a aplicação conjunta de trabalho, maquinaria e capital no processo produtivo gera um produto, este divide-se pelas três classes da sociedade: propriedades de terra (sob a forma de renda da terra), trabalhadores assalariados (sob a forma de salários) e os arrendatários capitalistas (sob a forma de lucros de capital). O papel da ciência econômica seria determinar as leis naturais que orientassem essa distribuição. Para David Ricardo o equilíbrio poderia ser alcançado com a aplicação das suas teorias.

TEORIA DO VALOR – TRABALHO
Enquanto que para Adam Smith o valor das mercadorias era determinado pela quantidade de trabalho que essas mercadorias poderiam comprar, designando-se por teoria do valor trabalho comandado, para David Ricardo o valor da troca das mercadorias era determinado pela quantidade de trabalho necessário à sua produção, não dependia da abundância, mas sim do maior ou menor grau de dificuldade na sua produção ficando, assim, conhecida por teoria do valor do trabalho incorporado. Os preços das mercadorias são, então, proporcionais ao trabalho nelas incorporado. Para David Ricardo a teoria dos preços não é mais do que uma teoria de preços relativos, ou simplesmente de razões de troca entre diferentes mercadorias. David Ricardo considerava como fontes do valor de troca a escassez e a quantidade de trabalho. A escassez explica o valor de troca das mercadorias não reprodutíveis, enquanto que a quantidade de trabalho explica o valor de troca de mercadorias reprodutíveis. Para Ricardo a economia deveria preocupar-se com as mercadorias reprodutíveis, por serem estas a esmagadora maioria das mercadorias que se trocam em economia, em virtude deste pensamento a escassez deixa de ser importante para a economia.

TEORIA DA DISTRIBUIÇÃO/TEORIA DA RENDA
Como se determina a prestação a pagar ao proprietário fundiário pela disponibilidade do uso da terra? Esta é a principal questão a colocar-se relativamente à renda “diferencial” (aquela que resulta da diferente fertilidade das terras e da concorrência dos empresários para a sua exploração). A questão colocada anteriormente encontra-se relacionada com outra que é a seguinte: Qual é o papel da renda fundiária na economia? A resposta a esta última questão permite uma melhor compreensão dos mecanismos econômicos da sociedade capitalista. Ao analisar estas duas questões, David Ricardo apresentou um modelo de repartição de rendimentos com implicações importantes sobre o crescimento econômico e política econômica. Foram três as hipóteses consideradas por David Ricardo para a elaboração do seu modelo de repartição de rendimentos:
• A lei dos rendimentos decrescentes reflete que para conseguir quantidades adicionais iguais de um bem, a sociedade tem de utilizar quantidades crescentes de fatores. Se existirem rendimentos decrescentes na produção de um bem, o custo de oportunidade de produzir unidades sucessivas do mesmo bem é cada vez maior.
• A lei malthusiana da população. A população cresce ou diminui de acordo com a disponibilidade de alimentos. Dessa forma, os salários tendem a permanecer no nível de subsistência, sempre que eles se afastam desse nível, verifica-se a lei do crescimento demográfico, aumentando ou diminuindo a oferta de trabalhadores.
• O móbil do crescimento do produto e, assim, dos investimentos, encontra-se no lucro, mais propriamente no lucro por unidade de capital investido. Para David Ricardo a seqüência e correlação destas três hipóteses ocasionou o aparecimento do estado estacionário, em que a produção na economia deixa de crescer. Ou seja, a pressão demográfica leva à utilização de mais terras, sendo as mais férteis as, inicialmente, mais cultivadas pelos empresários, o que leva a que, estas se tornem cada vez menos férteis, com conseqüência de tal fato, a taxa de lucro torna-se cada vez menor e a renda cada vez mais elevada. Assim, cultivando novas terras (menos férteis), tem que se aumentar a quantidade de trabalho para se produzir os mesmos bens, aumentando assim o seu valor e consequentemente o salário natural também. Os proprietários das melhores terras, vendem os produtos a um preço superior ao seu custo de produção, constituindo a diferença, a renda diferencial. Perante tal situação, David Ricardo combate todo este pessimismo com a sua idéia de liberdade de comércio. A importação levaria a que os empresários não fossem obrigados a utilizar terras menos produtivas, e deste modo a um aumento de renda e redução da taxa de lucro. Desta forma a taxa de lucro não desceria e o estado estacionário poderia ser evitado. Note-se que esta liberdade de comércio não conviria aos proprietários fundiários que veriam os seus rendimentos reduzirem-se.

TEORIA DO COMÉRCIO INTERNACIONAL
Esta teoria de David Ricardo informa-nos das vantagens do comércio entre as nações. Na sua época, este economista participou ativamente numa polemica sobre se a Inglaterra deveria praticar o livre-cambismo, liberdade de trocas internacionais com sete eliminações de direitos alfandegários protetores, ou protecionismo, com a supressão de impostos sobre importações e com a exclusão de entraves administrativos à liberdade de comércio entre as nações. David Ricardo, pelo que anteriormente já foi exposto, foi um defensor dos empresários e um importante defensor do livre-cambismo. 2.3.1 Princípio da vantagem comparativa e a sua análise segundo David Ricardo. Ricardo foi o primeiro economista a argumentar que o comércio internacional poderia beneficiar dois países, mesmo que um deles produzisse todos os produtos de forma mais eficiente, um país não precisa de ter uma vantagem absoluta na produção de um determinado produto. Pois dois países poderiam beneficiar do comércio mútuo se cada um tivesse uma vantagem comparativa na produção de qualquer produto. David Ricardo explica a sua teoria usando um exemplo envolvendo Portugal e Inglaterra e apenas dois bens, vinho e roupa, decidiu medir todos os custos relativos de produção, expressos em horas de trabalho.
A partir deste estudo, Ricardo provou que cada país seria beneficiado caso se especializassem no produto onde detém maior vantagem comparativa, o produto total global de cada bem aumenta, melhorando a situação de todos os países envolvidos nas trocas internacionais, pois menores seriam os custos de produção, os salários de subsistência dos trabalhadores e em conseqüência os lucros seriam os maiores possíveis.


SITES CONSULTADOS

http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Ricardo

http://www.vestibular1.com.br/revisao/teorias_economicas.doc
http://www.unisinos.br/ihu/uploads/publicacoes/edicoes/1158330491.25pdf.pdf
http://cogitoergosun.no.sapo.pt/ecopol2sem.pdf

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